5 Bystronic conclui aquisição da divisão Tools for Materials Processing da Coherent No final de janeiro, a Bystronic concluiu a aquisição da divisão Tools for Materials Processing da empresa norte-americana Coherent Corp., uma operação que lhe permite aceder a novos mercados em crescimento, como a tecnologia médica, a indústria de semicondutores e a fabricação avançada. A empresa suíça confirmou também a recuperação da marca Rofin, que passará a integrar a nova unidade de negócios denominada Bystronic Rofin. A aquisição amplia o portefólio tecnológico da Bystronic com novas aplicações a laser voltadas para o processamento de micromateriais, marcação, gravação e furação. As tecnologias incorporadas permitem trabalhar com uma ampla variedade de materiais, incluindo metal, vidro, cerâmica, polímeros e materiais orgânicos, o que abre novas linhas de desenvolvimento em pesquisa e aplicações industriais. A nova unidade de negócios Bystronic Rofin conta com cerca de 400 funcionários e está sediada em Gilching, perto de Munique (Alemanha). EDITORIAL O arranque de um novo ano é sempre um bom momento para refletir sobre o estado da indústria e, sobretudo, sobre o caminho que temos pela frente. Em 2026, o setor metalomecânico português enfrenta um contexto particularmente desafiante. Fatores como o aumento dos custos de produção, a escassez de recursos humanos qualificados e uma concorrência internacional cada vez mais intensa podem condicionar o desempenho desta indústria, que, em 2025, voltou a alcançar níveis recorde de vendas ao exterior. Este é, portanto, um momento exigente para o setor. Mas não é, de forma alguma, um momento de resignação. Até porque, se há algo que a história recente da metalomecânica portuguesa demonstra é a sua capacidade de adaptação. Ao longo das últimas décadas, o setor evoluiu de forma notável, investindo em tecnologia, especialização e integração em cadeias de valor internacionais. O caso da indústria de moldes é frequentemente citado como exemplo dessa capacidade de inovação e resposta a contextos adversos - uma característica que, na verdade, atravessa todo o tecido industrial metalomecânico. No início deste ano, essa capacidade voltou a ser colocada à prova, com a tempestade Kristin a afetar muitos dos fabricantes de moldes da Marinha Grande. Em entrevista, Manuel Oliveira, secretário-geral da Cefamol, faz um ponto de situação sobre o impacto no terreno e deixa um apelo: Este é o momento de “afirmar, com ainda mais força, a excelência das nossas competências, do nosso know-how, da nossa competitividade no panorama internacional”. Nesta fase de recuperação, a tecnologia volta a assumir um papel de destaque, principalmente num cenário de falta de mão de obra qualificada. As máquinas ‘multitask’, por exemplo, apresentam-se como uma alternativa de elevado desempenho, cada vez mais evoluída e acessível. No campo das ferramentas digitais de apoio à produção, a inteligência artificial está a sair definitivamente do domínio experimental para ganhar escala nas fábricas. Em paralelo, tecnologias como o fabrico aditivo metálico continuam a amadurecer e a abrir novas possibilidades de produção, desenvolvimento de produto e eficiência de processo. Num setor cada vez mais tecnológico, temas como a segurança no chão de fábrica, a qualificação das equipas e a organização do trabalho assumem uma importância crescente. É precisamente sobre estas dinâmicas que incide esta primeira edição de 2026 da InterMetal. Ao longo das próximas páginas analisamos tendências económicas, evolução tecnológica e desafios estruturais que irão moldar o setor nos próximos anos. Porque, apesar das dificuldades do presente, há uma convicção que permanece: a indústria metalomecânica portuguesa já demonstrou inúmeras vezes que sabe atravessar períodos complexos — e sair deles mais forte. 2026: um ano de resiliência
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