37 SEGURANÇA E PROTEÇÃO NO CHÃO DE FÁBRICA Soluções baseadas em inteligência artificial aplicáveis ao reforço da segurança no chão de fábrica (Fonte: adaptado de Shah & Mishra, 2024). tada e explorável a alterações nas suas imediações ou no ambiente, ou a um sinal externo. Exemplos incluem luvas que mudam de cor ao contacto com substâncias específicas, capacetes com sensores para monitorizar temperatura, quedas e impactos e EPI com sensores biométricos e detetores de movimento e localização. • Exoesqueleto – dispositivo vestível, constituído por uma estrutura externa semelhante a uma ‘armadura’ tecnológica, que pode ser passiva, recorrendo a molas, alavancas ou suportes mecânicos para auxiliar o manuseamento de cargas, ou ativa, equipada com motores e sensores que fornecem ‘força extra’ ou ajustam o movimento em tempo real, atuando sobre o sistema musculoesquelético para distribuir o esforço e proteger o corpo de cargas excessivas, sobretudo em tarefas de maior exigência física. • Realidade virtual – tecnologia que cria ambientes digitais imersivos, nos quais os trabalhadores interagem com simulações realistas, para formação prática em trabalhos de risco elevado, resposta a emergências e execução de procedimentos de elevada complexidade. • Drones – veículos aéreos não tripulados (VANT), utilizados na recolha de imagem e vídeo para inspeção de áreas perigosas (ex.: estruturas altas, telhados, torres ou locais com risco químico significativo), e para monitorização de setores ou linhas de produção, de modo a acompanhar em tempo real a movimentação de pessoas e equipamentos e identificar riscos e eventos com particular impacto na segurança (ex.: quase-acidentes ou derrames acidentais). A tecnologia é, sem dúvida, um facilitador importante: alarga o alcance da prevenção e aumenta a precisão na análise de riscos e a capacidade de resposta. Importa, contudo, evitar a ilusão de que, por si só, constitui uma solução integral. Nenhuma solução tecnológica substitui o fator humano nem assegura, de forma automática, a eliminação de incidentes. CONCLUSÃO A gestão da segurança continua a depender de acompanhamento próximo, atenção constante e elevado sentido crítico. Para isso, exige presença no terreno, monitorização e envolvimento efetivo. A cultura de segurança não pode ser uma imposição, nem se consolida apenas com investimento em sistemas. Deve ser sustentada e construída no dia a dia. Quando os colaboradores se sentem valorizados e envolvidos nas decisões, o seu compromisso e motivação tendem a aumentar. Esse envolvimento manifesta-se na forma como percecionam os riscos, como cumprem os procedimentos e como intervêm quando identificam situações inseguras, tendo impacto direto na estabilidade da organização e na retenção de talentos e profissionais qualificados. Em última análise, a redução do número de acidentes e das quebras de produção traduz-se numa diminuição de custos que não é unicamente operacional. Contribui para a sustentabilidade financeira e para a imagem externa da organização, reforçando a sua posição no mercado e a sua competitividade. No CATIM, esta visão é inegociável e claramente assumida. A inovação tecnológica é um instrumento-chave, mas é a participação ativa e o compromisso diário das pessoas que realmente fazem a diferença. n REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • Shah, I. A., & Mishra, S. (2024). Artificial intelligence in advancing occupational health and safety: An encapsulation of developments. Journal of Occupational Health, 66(1), uiad017. https://doi.org/10.1093/joccuh/uiad017
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