36 SEGURANÇA E PROTEÇÃO NO CHÃO DE FÁBRICA rigorosa e atempada de incidentes, contribuindo para prevenir eventos mais graves, promovendo a melhoria contínua dos processos e um maior controlo do nível de risco. • Envolvimento e participação dos colaboradores – envolvimento dos trabalhadores como participantes ativos nos processos de avaliação de risco, tomada de decisão e melhoria contínua, assim como o incentivo ao reporte regular de ocorrências e à partilha de ideias ou sugestões; participação em programas de segurança (ex.: ações de consulta aos trabalhadores) e formação específica de capacitação, reforçando o sentimento de pertença e a motivação para o cumprimento dos procedimentos instituídos. • Gestão de procedimentos – definição e revisão colaborativa de procedimentos de segurança dinâmicos e alinhados com a legislação, que suportem o reporte e tratamento de ocorrências, a gestão e avaliação de riscos e a informação aos trabalhadores, assegurando a integração de entidades externas e subcontratados na seleção e validação dos seus programas de prevenção, numa lógica que considere não só processos e comportamentos, mas também a imagem, a qualidade e a responsabilidade social das organizações. • Planos de formação e informação – contemplam formação ajustada às necessidades identificadas e dimensionada aos riscos, programas de indução e integração em segurança na admissão de novos colaboradores para assegurar a assimilação da política desde o primeiro dia e mecanismos de comunicação acessíveis, regulares e objetivos, recorrendo, por exemplo, a quadros informativos e quiosques digitais para centralizar informação relevante. • Reconhecimento de desempenho – visa reconhecer comportamentos seguros e desincentivar comportamentos de risco como reforço da cultura, através de critérios claros (ex.: uma matriz de tolerância) que permitam monitorizar desvios de forma justa e sustentar a tomada de decisão, assegurando que os trabalhadores conhecem as atitudes a adotar e os comportamentos a evitar sem receio de retaliação, e valorizando o contributo para um ambiente de trabalho seguro com reconhecimento e recompensas simbólicas, como o ‘trabalhador seguro do mês’ ou a melhor sugestão mensal de segurança. A evolução tecnológica tem sido considerada no planeamento da prevenção de riscos, não como um elemento acessório, mas como um fator preponderante no reforço da segurança. Nos últimos anos, os avanços alcançados têm transformado de forma significativa os ambientes de trabalho e os processos produtivos, frequentemente associados ao aumento da produtividade, transformando igualmente a forma como os riscos são identificados e controlados, ou seja, no modo como as medidas de prevenção e proteção são implementadas no chão de fábrica. A inteligência artificial (IA) é um exemplo claro desta mudança. A integração de novas ferramentas de análise, monitorização e apoio à decisão influencia diretamente a natureza e a organização do trabalho, permitindo desenhar estratégias eficientes de prevenção de acidentes e doenças profissionais. Algumas destas soluções são identificadas na Figura e descritas em seguida. • Visão computacional – ramo da inteligência artificial que permite aos computadores ‘ver’ e interpretar imagens ou vídeos, recorrendo a câmaras, sensores 3D e algoritmos, possibilitando a análise em tempo real de situações no chão de fábrica para identificação atempada de perigos e condições de risco (ex.: posturas incorretas, não utilização de equipamentos de proteção individual e acessos indevidos a zonas perigosas). • EPI inteligentes – combinam equipamentos de proteção individual (EPI) convencionais com componentes eletrónicos, como sensores, detetores, módulos de transferência de dados, baterias e cablagem, permitindo recolher e transmitir dados e gerar alertas. Segundo o Comité Europeu de Normalização (CEN), considera-se inteligente o EPI que apresenta uma resposta orien-
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