ENTREVISTA 12 Para além da tempestade, que outros fatores estão a pressionar a indústria de moldes? O setor enfrenta hoje um conjunto de desafios estruturais que encontram expressão máxima nas atuais condições de negócio impostas pelos clientes que conjugam baixos preços de venda com longos ciclos de pagamento, criando limitações ao nível da tesouraria e financiamento. Por outro lado, é fundamental lembrar a forte e aguerrida concorrência internacional, nomeadamente a que tem origem fora da Europa. Em paralelo, a atual instabilidade geopolítica global, a incerteza no crescimento dos nossos principais mercados geográficos (Europa) e setoriais (automóvel), promovendo uma reconfiguração das suas cadeias de fornecimento, originam instabilidade e uma dificuldade acrescida para definir uma intervenção consolidada e estabelecida fora do curto prazo. A escassez de mão de obra continua a ser um problema? Sim, continua a ser um dos constrangimentos críticos. A dificuldade em atrair e manter talento qualificado, sobretudo em áreas técnicas especializadas, condiciona a capacidade de crescimento e inovação. A renovação geracional, a integração de novos quadros, a formação e a valorização das carreiras profissionais no setor são desafios a ter em conta nas prioridades das empresas. Que iniciativas concretas está a Cefamol a desenvolver para apoiar as empresas neste momento? No que diz respeito aos efeitos da tempestade, a Cefamol tem vindo a fazer um levantamento sistemático dos danos nas empresas, articulando com entidades públicas ações que permitam ultrapassar as condicionantes imediatas relacionadas com a retoma da atividade produtiva (reconstrução, energia, comunicações, acessibilidades). Foi também promovida uma ‘Bolsa de Disponibilidade’, que permitiu que as empresas não afetadas prestassem apoio produtivo às demais. Em paralelo, junto do Governo, foi reforçada a representação institucional para identificar e ajustar as medidas e programas de apoio às reais necessidades da indústria. Neste sentido, realizaram-se várias reuniões e apresentaram-se propostas, algumas das quais em colaboração e coordenação com outras associações empresariais. Mais estruturalmente, e em função dos desafios mais alargados que enfrentamos, temos vindo a colocar em marcha um plano de intervenção que, ao nível do mercado, contempla a imagem e promoção internacional, bem como a diversificação de mercados, incluindo a abordagem a novas geografias e áreas de negócio. Reforçamos a formação de quadros e técnicos das empresas, e promovemos encontros e sessões para análise e debate de novos fatores de competitividade, como sejam o posicionamento e relação com os clientes, novos modelos de negócio, 'governance', cooperação empresarial, novos instrumentos de financiamento e capitalização, entre muitos outros. A próxima fase passará por dinamizar programas de capacitação e implementação de competências nestas áreas dentro das empresas. Apesar do contexto adverso, vê sinais de confiança no futuro da indústria portuguesa de moldes? Claro que sim! É verdade que, atualmente, os desafios são grandes - e agora agravados por esta situação inesperada - mas o setor tem uma notável capacidade de adaptação, inovação e resposta a contextos adversos. A aposta em inovação, tecnologia, digitalização e sustentabilidade, aliada à conquista de novos mercados com base numa reputação internacional construída ao longo de décadas, dá-nos uma perspetiva de confiança no futuro. Que mensagem gostaria de deixar às empresas da região neste momento particularmente exigente? De confiança e cooperação. A história da indústria de moldes em Portugal demonstra uma extraordinária capacidade de superação e adaptação às circunstâncias do mercado. Este é um momento exigente, mas também uma oportunidade para reforçar a coesão do setor, acelerar a modernização organizacional e produtiva, abordar e conquistar novos mercados e áreas industriais e afirmar, com ainda mais força, a excelência das nossas competências, do nosso know-how, da nossa competitividade no panorama internacional.
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