BM28 - InterMETAL

ENTREVISTA 11 A Marinha Grande continua a ser o epicentro desta indústria? Digamos que a indústria de moldes, em Portugal, tem dois epicentros: a Marinha Grande e Oliveira de Azeméis, estendendo-se esta presença a vários dos concelhos limítrofes em cada uma das regiões. Podemos afirmar que o setor, a nível nacional, concentra cerca de 90% da sua produção num raio de 150km. Qual é a real dimensão dos danos causados pela tempestade Kristin nas empresas da região? A depressão Kristin provocou danos significativos em muitas empresas da região Marinha Grande/Leiria. De uma forma geral, todas as empresas foram, com maior ou menor impacto, afetadas. Houve danos registados nas estruturas e coberturas das unidades fabris, em equipamentos produtivos sensíveis e de alta tecnologia, agravados pelas chuvas intensas, pelas interrupções energéticas, por limitações ao nível das comunicações, as quais, obviamente, implicaram paragens produtivas. Para algumas unidades, os prejuízos diretos e indiretos ascendem a muitas centenas de milhares de euros, com impactos adicionais decorrentes de atrasos na produção e relações contratuais com clientes. Os apoios prometidos pelo Governo são suficientes para garantir a recuperação plena dessas empresas? Os apoios anunciados são um sinal positivo e necessário, mas, em muitos casos, não serão suficientes para assegurar uma recuperação plena. A natureza altamente tecnológica do setor implica custos elevados de reposição e recuperação de estruturas e equipamentos, bem como perdas associadas na interação com cadeias de fornecimento internacionais. Por outro lado, seria importante que os apoios não se limitassem à criação de maior endividamento das empresas. Que medidas adicionais seriam necessárias? Seria muito importante reforçar o apoio a fundo perdido nas linhas existentes, quer para reposição de equipamentos críticos, quer para reforço de tesouraria. Deveriam ser equacionados mecanismos de compensação por paragens produtivas em função da falta de energia e de comunicações, suportando os custos com o aluguer e utilização de geradores. Por outro lado, a simplificação e aceleração dos processos de candidatura e pagamento são imperativos, pedindo-se o mesmo às entidades seguradoras. Numa fase seguinte, mas imediata, é muito importante termos um apoio à retoma da atividade exportadora e reforço da presença em mercados internacionais. Para o efeito, deve apostar-se numa campanha de imagem e promoção internacional forte e articulada com a AICEP. Em termos setoriais, o desenvolvimento e implementação de um plano de ação estruturado e desenvolvido a médio prazo, que atue ao nível do posicionamento e diversificação de mercados, da diferenciação por via da inovação e I&D, não esquecendo áreas relacionadas com a gestão, os ganhos de escala e dimensão, a implementação de novos modelos de negócio e integração de novas competências será fundamental para relançar a indústria numa nova senda de sucesso. Existe uma estimativa de quando será possível reestabelecer completamente a operacionalidade das unidades afetadas? Não é fácil estipular uma data, uma vez que a recuperação varia de empresa para empresa. Algumas unidades conseguiram já retomar a atividade plena, outras estão no caminho, enquanto outras poderão necessitar de várias semanas ou meses, especialmente quando estão em causa infraestruturas e a operacionalização de equipamentos de elevada precisão. Uma recuperação plena do conjunto das empresas afetadas poderá estender-se até ao final do primeiro semestre de 2026. “A aposta em inovação, tecnologia, digitalização e sustentabilidade, aliada à conquista de novos mercados com base numa reputação internacional construída ao longo de décadas, dá-nos uma perspetiva de confiança no futuro” Que fatores podem condicionar a recuperação? Principalmente, a capacidade financeira e a tesouraria das empresas para suportar custos imediatos que podem derivar da rapidez na atribuição dos apoios públicos e da ativação dos mecanismos das seguradoras. Também o restabelecimento por completo, e sem oscilações, das redes elétricas e de comunicações são fundamentais. Devemos também ter em conta outros fatores, como o tempo de reposição ou substituição de equipamentos danificados, tendo igualmente em conta a manutenção da confiança dos clientes internacionais.

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